
Dando continuidade à nova fase Marília Gabriela do Blog, resolvemos entrevistar uma it girl genuinamente brasileira e carioquíssima do rock’n'roll, Mayra Dias Gomes. Escritora, acaba de lançar seu segundo trabalho, MIL E UMA NOITES DE SILÊNCIO – o primeiro, FUGALAÇA, veio com apenas 17 anos de idade. Hoje, com 21 anos completos, dedica-se integralmente à literatura e ao rock’n'roll, colaborando com veículos ligados à música, como a Mtv e a revista Spin, além do jornal Folha de S. Paulo.
A seguir, Mayra responde a algumas perguntas. Fotos do ensaio da escritora para a revista masculina VIP, em Setembro de 2007.
BLOG Dois anos após o debut com um material “quase” autobiográfico, o que fica para ‘Mil e Uma Noites de Silêncio’, além da narrativa na mesma primeira pessoa de ‘Fugalaça’?
MDG “Mil e Uma Noites de Silêncio” e “Fugalaça” são livros completamente diferentes. Só porque escolhi novamente uma narrativa em primeira pessoa, não significa que esteja abordando os mesmos temas ou usando os mesmos artifícios para chegar aos leitores. Esse é o meu estilo, simples assim. Gosto de me transformar na personagem que está contando a história.
Minha nova protagonista é uma mulher de vinte e seis anos transviada pelos abandonos em sua vida, atormentada pela insônia, incapaz de lidar com a sociedade, medrosa, livre de drogas. “Mil e Uma Noites de Silêncio” é a história de sua busca por um laço humano. Enquanto em “Fugalaça”, Satine tinha um monte de relacionamentos superficiais com todos os tipos de gente, Clara, em “Mil e Uma Noites de Silêncio”, procura desesperadamente por alguém com quem possa ter um relacionamento verdadeiro – seja um amigo, um namorado, ou sua família biológica que a abandonou quando ela era somente um bebê.

BLOG Mayra por Mayra, agora. Mais maturidade para este segundo momenta da carreira de escritora?
MDG Lógico, mais maturidade em todos os aspectos da minha vida. Não sou mais uma adolescente.
BLOG Com relação ao seu pai, Dias Gomes, existe algum traço/característica literária herdado com orgulho?
MDG Acho que nossos textos são extremamente detalhistas. Expressam também uma grande vontade de mudar alguma coisa. Seja no mundo exterior ou interior dos leitores, ou no mundo do próprio escritor. Meu pai era um homem rebelde, insatisfeito com a situação de seu país, lutava pela liberdade de expressão. Somos muito parecidos em muitos sentidos. Ele também perdeu o pai quando era muito novo e sofreu muito com isso.

BLOG E, dentro do processo criativo, como você organiza as suas idéias, especialmente para Mil e Uma Noites de Silêncio, cuja narrativa fictícia é fruto restrito da sua imaginação?
MDG É difícil falar sobre isso, pois muitas vezes sinto que tem alguém escrevendo por mim. É como se meus personagens tivessem vida própria, como se me dissessem o que devo escrever. Mas meu ambiente de trabalho é o seguinte: Primeiro penso e visualizo os sentimentos que quero expressar. Antes de sequer saber como vão ser colocados no papel ou qual história vão contar. Depois escolho uma trilha sonora que reflita estes sentimentos e que façam com que eu me sinta daquela maneira que devo me sentir para conseguir passar verdade para as minhas palavras. Depois, é natural. Eu simplesmente escrevo. Um dia os livros ficam prontos. Eu sempre escrevo sobre o que sinto, sobre o que quero sentir, ou sobre o que não quero sentir de forma alguma. “Mil e Uma Noites de Silêncio” surgiu a partir da constatação dos sentimentos que não gosto de sentir: abandono, fracasso, solidão.


BLOG Sobre música; rock’n'roll, é claro. Suas colaborações para Folha de São Paulo, Mtv, e pra gringa Spin, reforçaram o amor pelo ritmo? O que atualmente você escuta sem parar?
MDG Rock’n’roll é minha paixão, minha vida, o que me move. Inicialmente queria ter uma banda e quando não consegui, virei escritora. Faço minha música no papel, procuro trazer ritmo para tudo que escrevo. Vivo este mundo através do meu trabalho como repórter musical, que pode trazer grandes realizações e grandes decepções, mas que eu não trocaria por nada deste mundo.
Atualmente tenho ouvido sem parar o novo álbum da banda Wildhearts, que se chama “Chutzpah”. Essa banda deveria ter atingido um nível de reconhecimento infinitamente maior do que o que atingiram. É um daqueles grupos que influenciou um monte de músicos importantes, mas nunca chegou ao status internacional. Recomendo insistentemente que procurem sobre esses caras. Recentemente entrevistei o baixista Scott Sorry, enquanto trabalhava na Finlândia, e foi uma experiência muito legal. No passado também entrevistei o vocalista Ginger – um dos melhores letristas da atualidade, na minha opinião.

BLOG E o rock como lifestyle?! Você acredita no mood rockr, ou nem?
MDG Como eu já disse , o rock é minha vida. Vivo em shows, festivais, backstages, ensaios, festas. Leio muitas biografias, livros de entrevista, e até mesmo livros técnicos. Assisto e escuto o máximo de coisas que puder. Sou muito dedicada a este universo, e muito mais influenciada pela música do que pela literatura em si.
Recentemente fui convidada pelo próprio governo da Finlândia para ir à Helsinki e participar de reuniões em gravadoras, agências, associações de exportação, fazer entrevistas, e também a cobertura completa de um festival de metal extremo. Acredito que fui recompensada pela minha dedicação e paixão pela música.

BLOG Tem estilo próprio ou segue alguma cartilha? Rendeu-se também aos blogs de streetstyle?
MDG Tenho meu estilo. Me visto de acordo com o que estou sentindo. Estilo é tudo. É como nos expressamos externamente, para o mundo enxergar.
Fica a dica.
http://www.fotolog.com/sensationslave
http://www.myspace.com/mayradiasgomes

MIL E UMA NOITES DE SILÊNCIO
Mayra Dias Gomes
Grupo Editorial Record/Editora Record
308 páginas
Preço: R$ 39,00
Formato: 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-01-08627-3



tat
11 mêss atrás
que legal a entrevista dela! arrasou gato. ficou mto legal.