
Lola (Christa Theret), ou Lol, como é conhecida pelos amigos, é uma adolescente de 15 anos. Parisiense, pais separados e à sua disposição todos os brinquedinhos eletrônicos necessários para saber de tudo que rola pelo mundo. Ela e seus amigos fazem parte de uma juventude burguesa de Paris, e, sendo descolados e famintos por descobertas, assumem, portanto, a vida como uma jornada de experimentações.

Inicialmente, é bom deixar claro que o filme dirigido por Lisa Azuelos é totalmente despretensioso. Pode até tocar em algumas questões do universo juvenil, como drogas, sexo, liberdade, relacionamentos e consumo, mas em nenhum momento o faz de forma profunda. Com um ritmo leve, e ao som de Keane, Rolling Stones, e do novato Jean-Philipe Verdin, assistimos as aventuras amorosas, as confusões e os conflitos desse grupo de amigos.

De modo geral, as roupas são para este segmento um mote de afirmação; ser hype é quase natural. Saber as novidades da Topshop e Urban Outfitters é tão básico quanto saber a tabuada. Não importa o preço, mas sim a qualidade e originalidade da peça. Onde você comprou essa t-shirt? ou Me empresta esse colete vintage? podem ser as primeiras perguntas ao se chegar na escola.

Assim, streetstyle e a juventude moderna caminham juntas. A internet tornou próximo a moda das ruas de Tóquio até Paris. Uma prova é a gama de blogs que mostra como as pessoas se vestem nas ruas. O guarda roupa eclético das meninas não deixa a desejar. Lol ainda aproveita-se do bom gosto de sua mãe liberal (vale a pena citar, interpretada pela atriz veterana Sophie Marceau) e pega um cashmere emprestado entre uma cena e outra. Mistura com uma camiseta, um jeans skinny rasgado e sua inseparável maxi-bolsa. Notável entre todas elas é a presença do detalhe xadrez. Se a ocasião for uma balada, aparece a meia calça colorida ou um vestido curto preto. Como o filme se passa em Paris, jaquetas jeans e de couro são itens imprescindíveis, assim como o cachecol e a bota. Os acessórios mais usados são os óculos, de pegada 60′s ou wayfarer, e a maquiagem natural dá lugar à inocência que aos poucos vai sendo perdida. O segredo aqui não é o que usar, mas sim a maneira que elas combinam esses elementos.

Os meninos não deixam por menos. Guitarristas, bateristas ou amigos da banda, todos aparecem usando longos casacos, variando entre cores discretas, como o marrom e preto. O cabelo bagunçado e a camisa de banda indie também marcam o visual.

O mix de sentimentos dessa juventude vislumbra o retrato da geração do consumo e que acessa um vasto conteúdo de informação sobre a cultura global, a música, arte e a moda. Na rua contemplamos toda a publicidade e informação direcionada para esse público jovem sendo posta em prática. Do garoto com a camisa do Radiohead à menina de jaqueta detonada. Os jovens buscam referências, para serem notados. Rebeldes ou criativos, bom mesmo é observar no cotidiano o modo ousado que eles fazem moda.
Confira o trailer para cinema de LOL* – Rindo À Toa (Laughing Out Loud, França 2008):
Fotos: Reprodução
Fonte: IMDB



Rodollfo Bernini
6 mêss atrás
Por algum motivo filmes de menor porte normalmente conseguem passar uma mensagem mais clara para o público, seja por usarem demais o plano sequência ou pelo simples fato de não vermos os famosos figurões americanos… É sempre interessante acompanhar realidades tão diferentes analisadas por diretores menos conhecidos!
Mas destacar algum aspecto de moda.. Hmm.. Aí fica difícil pra mim.. huashussah não que eu não entenda nada, só que eu aprendi coisas básicas como não misturar listra horizontal com vertical (é errando que se aprende =x)…
Mas o texto em si e o blog tão de parabéns.. Ótima literatura, bem desenvolvida e nada cansativa! Muito bom e recomendável!
Se ainda se lembrarem de mim, Marcos e Lorena, o jovem paulista/cachoeirense que mora em campos, no pub com as irmãs legais, o tommy e o inglês passando mal asuhhsauuahsauhs
Abração!
Marcos Eduardo Altoé
6 mêss atrás
Aqui no Brasil nós fomos educados pelo cinema hollywoodiano, o que mina um pouco a repercussão dos filmes europeus e demais independentes. Eu gosto muito, adoro ver o mundo por outra óptica, e o cinema francês é um bom caminho!
Não se preocupe em saber ou não saber de moda, o que vale é o instinto pessoal que cada um de nós temos ao nos vestirmos, estudados ou não.
Valeu o comentário, Rodolfo!