SLEIGH BELLS: TATUAGENS COLORIDAS, CAMISETAS SURRADAS E DISTORÇÃO PESADA

4 janeiro, 2010 → @ Bruno Reis

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Aqueles olhos azuis brilham no fundo de um rosto branco, com pequenas nuvens avermelhadas nas bochechas. O contorno dos cabelos pretos complementam uma face exótica que ganha voz sempre que ela abre a boca. É claro que, enquanto vemos isso, assim como suas tatuagens coloridas, as camisetinhas surradas e todo o cool outfit, uma pesada parede de distorção de guitarra já está caindo sobre nossas cabeças, vindo do rapaz baixote, sempre com um casaco bacana e cara de encrenqueiro. Ouve-se ainda uma infinidade de batidas eletrônicas, que podem ser pesadas como um caminhão capotando a cem por hora, ou leves como gotas de chuva solitárias que caem sobre um campo de grama. O Sleigh Bells veio do Brooklyn, logo, comum não poderia ser. E isso é um belo de um elogio.

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Quando o álbum começa com a bucólica “Ring Ring”, a voz da professora escolar Alexis Krauss (que já havia cantado na banda teen RubyBlue) é suave, a batida é pop e os acordes do veterano do hardcore americano Derek Miller, que tocava no Poison The Well, fazem muito bem o que o Dirty Projectors já faz como poucos – harmonias vocais combinadas com batidas quebradas. “Beach Girls” remete a um Animal Collective recebendo o B-52’s para uma jam, já que Krauss faz sempre questão de deixar a sua voz como marca indelével em todas as canções, mesmo que elas sejam cheias de scratches e usem bases de hip-hop. Ambas as faixas estão em “Sleigh Bells”, o primeiro conjunto de canções reunidas pelo grupo de mesmo nome. Desde outubro passado, quando ainda não tinham lançado uma faixa sequer, pairava sobre a dupla novaiorquina aquele feixe de luz que cobre todo grupo que se torna audição obrigatória – algo que a barulhenta “Crown On The Ground” te faz ter certeza absoluta assim que a sujeira da faixa abre espaço para a voz latente da moça de olhos azuis.

Aí, quando o jogo já está ganho, é que você nota as faíscas de raio laser que saem daqueles olhões arregalados, que se abrem ainda mais quando o grito chega. E deixa “Infinity Guitars”, e o que mais do Sleigh Bells vier pela frente, rasgar cabeça adentro que é por aí que a coisa vai na música pop de 2010.

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