
Charlotte está solta. Quem olha para a cantora e atriz vê em seus olhos que a liberdade é azul, e é bonita demais. Está na cara, nos versos, na impostação da voz. Aproximando-se dos quarenta anos, a francesa parece tocar seus projetos ao sabor dos ventos mediterrâneos, sem pressa de estar no filme do momento, sem pretensão de fazer a obra musical definitiva. Sua maior vitória foi ter conseguido sair da sombra de Serge Gainsbourg, o pai famoso, ao lado de quem deu os primeiros passos artísticos de sua vida. Agora a moça curte os louros dessa conquista trabalhando como quer, com quem quer, e chegando a resultados fascinantes.

Enquanto filmava o perturbador “Anticristo”, filme do cineasta dinamarquês Lars Von Trier, a área de escape para Gainsbourg era o processo de feitura de “IRM”, seu terceiro álbum (o segundo da vida adulta, já que o primeiro, que levava apenas seu nome, saiu quando ela tinha 15 anos). Composto em sua maioria e produzido pelo inquieto Beck, algo que dá pra sentir sem dificuldade nos sulcos que cada música traz, este novo trabalho se coloca perfeitamente dentro do pop contemporâneo. O toque de midas do músico faz com que a voz de Charlotte seja como uma cortina, que vez ou outra se abre para que os arranjos ensolarados de Beck invadam o quarto, enquanto em outras faz questão de encerrar lá dentro uma melancolia doce, quase palpável.
Ainda que o disco também tenha servido para que a francesa exorcisasse os demônios do grave acidente que sofreu quando esquiava em 2007 – o próprio título do álbum faz referência a isso, já que IRM é a sigla francesa para imagens de ressonância magnética – nota-se o dedo de Beck em todos os cantos do álbum: na dramaticidade dos arranjos de “La Collectionneuse”, que traz Gainsbourg e seu francês sensual quase sussurrado, no rock contido de “Greenwich Mean Time”, na beleza derramada por toda extensão de “Time Of The Assassins”, no majestoso arranjo pop da sensacional “Heaven Can Wait”, ou na estranheza aconchegante da faixa “IRM”. Mais do que o dedo do produtor, percebe-se mesmo que Charlotte Gainsbourg está de bem com a vida, fazendo o que gosta, da maneira que prefere. Uma artista em plena forma, tomando suas próprias decisões e se beneficiando disso.
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Charlotte Gainsbourg – IRM (mp3)
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Charlotte Gainsbour – Time Of The Assassins (mp3)
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Charlotte Gainsbourg – Greenwich Mean Time (mp3)
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Charlotte Gainsbourg – La Collectionneuse (mp3)
Baixe o álbum completo aqui.
Fotos: Reprodução
http://www.charlottegainsbourg.com/



Denise Telles
5 mêss atrás
adourooooo essa parceria com Bruno, o rapaz manda bem!!!
;o)