
Delicadeza foi a palavra que, com certeza, não saiu da cabeça do diretor Spike Jonze (“Quero ser John Malkovich”) ao aceitar o desafio de recriar a história escrita em 1963 por Maurice Sendak. O livro “Where the wild things are”, que tem pouco mais de 30 páginas, um pouco menos de 20 sentenças e gravuras incríveis, é reconhecido como um grande clássico da literatura infantil norte-americana.
“Onde vivem os monstros”, de 2009, traz às telas os conflitos de Max (Max Records), um garoto extremamente criativo e agitado que tenta lidar com a desestruturação da família, entre a ausência paterna e o novo namorado de sua mãe e o controle de seus sentimentos, principalmente a raiva. Numa das brigas com a mãe (Catherine Keener) em busca de atenção, Max tem um acesso de fúria e foge de casa. É, então, num terreno baldio em meio à grama alta e galhos secos, que sua imaginação começa a funcionar. O garoto é transportado para outro mundo, muito mais permissível e habitado por monstros.
O pequeno viajante aprende com os monstros Carol (James Gandolfini), Alexander (Paul Dano), Judith (Catherine O’Hara), Ira (Forest Whitaker), o Touro melancólico (Michael Berry Jr.), Douglas (Chris Cooper) e KW (Lauren Ambrose) a extravasar seus sentimentos mais primitivos. O novo mundo tem toda a magia do extraordinário, desde a construção dos monstros à composição dos cenários, não há culpa, não há ressentimentos, não há muito sentido, afinal para Max tudo é uma fuga, aventura e diversão. Porém, com o passar do tempo, o jovem que é tratado como rei pelos amigos peludos, é traído pela própria imaginação. Os monstros são reflexo de cada um dos sentimentos com os quais Max deve lidar para amadurecer. Carol, que representa a raiva, não lida muito bem com KW, a representação do sentimento materno, externo ao garoto. E assim, os personagens o colocam em situações que o ensinam a conviver com as diferenças, compreender e aceitar algumas coisas como elas são e ter responsabilidade sobre as conseqüências de seus atos.
O roteiro tem o cuidado de usar metáforas do mundo infantil, já que tudo que vemos é fruto da experimentação de uma criança. É como prestar atenção numa grande história amarrada através de pequenos relatos ligados por muitos “e aí, né”, típicos da continuidade e incoerência pueril. Inicialmente me fez lembrar dos bons tempos de “História sem fim”, mas só em relação ao garoto convivendo com figuras fantásticas. “Onde vivem os monstros” é simples de ser visto mas não é um filme bobo. Levanta com muito cuidado discussões sobre o controle das emoções e o amadurecimento, independente da idade. Em alguns momentos esquecemos que Max é apenas um garoto, que tenta ser uma lobo, que tenta ser um rei e com muita delicadeza entendemos aonde, de verdade, estão os monstros.
Nota do Editor — O livro original, escrito por Maurice Sendak, encontra-se atualmente disponível para download em versão PDF. Clique aqui e inspire-se!



Denise Telles
4 mêss atrás
vou ali baixar o livro pra ver o que le me diz,
pq sinceramente, o filme não me disse nadinha!
=|
Rick Freitas
4 mêss atrás
Ainda não vi o filme, mas a crítica me deixou mais curioso do que estava!
Bora ver então néh!?
Ricardo
4 mêss atrás
Me pareceu um filme bastante confuso e forçado. É de uma fotografia extremamente bela, mas peca ao tentar passar uma mensagem.
Leo
1 mês atrás
Achei o filme lindo.