
O mistério parece ser ingrediente indispensável para algumas bandas suecas. Em uma época tão devassada, onde tudo se revela com um simples clique na internet, ter um pouco de discrição pode ser mesmo um grande diferencial. Essa dupla consegue fazer com que sua música, melodiosa e com toques eletrônicos, tenha uma atenção ainda maior ao revelar pouco sobre si mesmo. Aí você pensa: dupla? sueca? eletrônica? misteriosa? Esse cara só pode estar falando do Knife, certo? Errado. Há muitos outros mistérios vindos da gélida Suécia que sua imaginação ainda não captou.

Estou falando o jj, duo formado por Joakim Benon e Elin Kastlander, e de quem muito pouco se sabe – basicamente, as informações são de que são suecos e lançaram seus dois discos (“jj nº 2″ e “jj nº3″) por duas gravadoras, Secretly Canadian e Sincerely Yours. Nem MySpace os caras têm. De resto, é melhor se concentrar apenas no que ouvimos, principalmente neste “jj nº 3″, delicioso registro que sai oficialmente esta semana na Europa. Ainda que tenha ali uma veia pop saltando forte, “nº 3″ não se entrega de bandeja. O som do jj se apropria de batidas eletrônicas camaradas para receber diversos tipos de complementos melódicos, tornando o disco uma obra variada, sempre bonita e nunca óbvia.
Há um clima de sossego, de calmaria, que envolve o álbum mesmo nas faixas um pouco mais agitadas. As belas “No Escapin’ This”, “Let Go” (que ganhou um lindo clipe quase todo em preto e branco) e “Into The Light” têm detalhes que saltam aos ouvidos, como belas passagens de sintetizadores, melodias vocais suaves e até gravações de locução em italiano de jogadas do craque Ibrahimovic, da Suécia. O que o jj tem a ver com futebol? Boa pergunta. Taí mais um mistério para a coleção desse suecos.



8 março, 2010 → @ Bruno Reis
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